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Opinião: Junto com as chuvas vêm os raios, belos e perigosos!

Mato Grosso Econômico 29/01/2026 18:36

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Opinião Junto Chuvas Vêm Raios: guia completo

MT Econômico > Economia e Mercado > Opinião: Junto com as chuvas vêm os raios, belos e perigosos!Economia e MercadoOpiniãoOpinião: Junto com as chuvas vêm os raios, belos e perigosos! O homem sempre teve medo do raio.

Em função disso surgiram várias lendas, crenças e crendices a seu respeito, como cobrir espelhos ou carregar amuleto Artigo Publicado 29 de janeiro de 2026 Compartilhe 14 minutos de leitura Foto: Arte/Acervo pessoal Compartilhe O raio faz parte da própria evolução e formação da Terra.

Na antiguidade, o raio estava sempre associado a deuses e divindades como na mitologia grega que mostra Zeus como sendo o deus do raio. O homem sempre teve medo do raio. Em função disso surgiram ao longo do tempo várias lendas, crenças e crendices a seu respeito, como por exemplo, cobrir espelhos ou carregar amuleto colhido no local da queda de um raio para se proteger.

Para os povos indígenas, os raios são vistos como manifestações divinas, associados à figura de Tupã na mitologia Tupi-Guarani, representando trovões como sinais de insatisfação ou poder.Atualmente no mundo existem em vários países redes de detecção de raios através de sensores.

No Brasil existe a RINDAT-Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas composta de vários sensores distribuídos no país que permitem gerar monitoramento em tempo real, pesquisa científica e produtos destinados a aplicações na previsão de tempo, na análise e manutenção de sistemas elétricos de transmissão, de distribuição de energia e na emissão de laudos de análise de eventos severos para seguradoras e empresas de engenharia.

Os sinais dos sensores são transmitidos através de canal de comunicação dedicados para as centrais de processamento, onde são processados e distribuídos para unidades de visualização e armazenamento de dados.As descargas podem ocorrer no interior de uma nuvem e entre nuvens diferentes.

As descargas entre a nuvem e a terra são menos frequentes (cerca de 10%), mas são as que merecem de nossa parte mais atenção, pois é aqui embaixo que habitamos. A descarga é visível com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares, às vezes com muitos quilômetros de distância. Um raio, composto por várias descargas, pode durar até dois segundos.

No entanto, cada descarga que compõe o raio dura apenas frações de milésimos de segundos. Deste processo acontece também uma onda sonora chamada trovão que é o ruído (estrondo) produzido pelo deslocamento do ar devido ao súbito aquecimento causado pela descarga do raio. Primeiramente observamos os relâmpagos e alguns segundos depois ouvimos o trovão.

Isso ocorre porque a velocidade da luz é muito maior que a velocidade do som. Portanto, quanto menor for esse tempo, mais próximo está ocorrendo a descarga e maior deve ser a preocupação.A incidência de raios no Brasil é a maior do mundo, com uma média de cerca de 78 milhões de eventos anuais de acordo com Grupo de Eletricidade Atmosférica-ELAT do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE.

São cerca de 110 pessoas em média que morrem por ano em decorrência de descargas atmosféricas no país, grande parte na área rural e 76% destas mortes concentram-se nas estações da primavera e verão. A posição geográfica e também sua grande extensão territorial do Brasil colaboram para esse alto índice.

Uma zona tropical onde o ar quente e umidade favorecem a formação de nuvens de tempestade, fazendo com que o país seja uma espécie de “paraíso” para as descargas atmosféricas. Os raios caracterizam-se por alta intensidade de corrente elétrica (20 a 200 kilo Ampéres), altas temperaturas (30.000 graus Celcius) e grandes energias (3.000 Joules) em intervalos de milésimos de segundos.

Causam risco de morte para os seres vivos e também prejuízos econômicos estimados na ordem de um bilhão de reais por ano afetando bastante o setor industrial, de energia e de telecomunicações.“O raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Na verdade, esta expressão ou crença não é verdade.

Se o raio caiu num determinado local é muito provável que possa cair novamente, pois este local pode reunir condições propícias para que o evento possa se repetir novamente. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, é atingido todos os anos por cerca de seis raios, de acordo com o INPE.

Já o edifício Empire State Building, em Nova York, nos Estados Unidos, recebe 25 raios todos os anos – ele já chegou a ser atingido por oito raios em oito minutos!A Norma da ABNT NBR 5419 estabelece os requisitos para proteção de uma estrutura contra danos físicos por meio de um SPDA-Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas – e para proteção de seres vivos contra lesões causadas pelas tensões de toque e passo nas vizinhanças de um SPDA.

As edificações devem ser protegidas conforme a referida norma que define para cada situação ou importância da edificação níveis de proteção que devem ser utilizados para atenuar os efeitos das descargas nas mesmas e consequentemente para os seres vivos através de vários métodos de proteção definidos na norma dentre os quais constam o Método de Franklin, da Gaiola de Faraday e Eletrogeométrico ou da Esfera Rolante.

Existem vários níveis de proteção onde a eficiência de um SPDA pode variar de 80 a 98%. Eliminar totalmente o risco não é possível, mas podemos ter uma proteção próxima da ideal. Edifícios, hospitais, escolas, estádios de futebol, museus, depósitos de materiais explosivos ou tóxicos, igrejas, fábricas, etc, cada um requer um determinado nível de proteção.A tensão de passo é a tensão entre os pés do ser vivo.

Ao dar um passo este ficará com os pés em linhas equipotenciais diferentes provocando passagem de corrente pelo seu tronco. Num ser vivo bípede isto raramente provoca a morte, pois a parcela de corrente é pequena (linhas equipotenciais próximas), já nos quadrúpedes geralmente é fatal (linhas equipotenciais distantes) maior diferença de potencial, logo maior corrente passando pelo tronco do ser vivo.

Os bois em campo aberto são muitas vezes mortos em função de descargas atmosféricas, pois a distância ente patas é maior, sendo então submetidos a um potencial de passo maior. Adicionalmente, a descarga também pode eletrificar cercas metálicas e os animais próximos ficam mais expostos ao risco. Neste caso as cercas devem se seccionadas e aterradas de acordo com as normas e recomendações da distribuidora de energia.

Outro fator de risco para os animais consiste no fato de se aglomerarem embaixo de árvores num campo aberto em dias de chuvas, as quais são consideradas um fator de risco, pois são o ponto mais alto no local e o caminho mais curto para o raio. A corrente elétrica é conduzida ao solo onde se espalha atingindo grande quantidade de animais.

Para se evitar mortes dos animais, quando viável podem-se instalar galpões protegidos para o gado e outras espécies se abrigarem em dias de chuva. O bom senso ainda é o melhor meio de se evitar acidentes. Observando nuvens carregadas (escuras) e situações chuvosas, as pessoas devem procurar abrigo preferencialmente dentro das edificações mais seguras.As descargas também podem afetar os equipamentos elétricos.

Quando caem em determinado local podem induzir potenciais e atingir as redes elétricas que são aéreas, portanto mais susceptíveis, chegando até a instalação elétrica dos consumidores. Também é bastante comum após descargas na rede elétrica da distribuidora de energia ocorrer desligamentos automáticos das mesmas por relés (sensores) nas subestações.

O religamento destas redes de forma automática ou manual pode provocar sobretensões danosas (voltagens mais altas) no retorno da energia podendo causar a queima de equipamentos elétricos. São os famosos picks ou piscas que além dos transtornos, interrompem processos produtivos e podem causar a queima de equipamentos. É importante o consumidor registrar o dia, horário aproximado e os equipamentos danificados.

A empresa por sua vez fará as análises quanto ao nexo causal da solicitação em conformidade com o módulo 9 do PRODIST-Procedimentos de Distribuição da ANEEL-Agência Nacional de Energia Elétrica, que define ainda os prazos regulados.Existem hoje no mercado dispositivos que protegem as instalações de baixa tensão dos consumidores.

Chamados de DPS-Dispositivo de Proteção contra Surtos, estes devem ser previstos na fase de planejamento das edificações na parte de projeto de instalações elétricas.

Caso a edificação já esteja construída, este dispositivo também poderá ser instalado junto ao quadro de distribuição devidamente dimensionado, especificado e instalado por um profissional competente.Em Mato Grosso no período chuvoso que vai de meados de novembro a abril ocorrem muitas descargas atmosféricas. De acordo com (Martins Jr., W.

A., 2025) em levantamento do do período 1998-2022 mostrou que houveram 3.397 acidentes no país com raios, ocasionando 2.270 mortes, uma letalidade média de 67,1%. Em Mato Grosso foram 147 acidentes com 136 mortes, uma letalidade média de 92,5%, colocando o estado na sexta posição no ranking de letalidade.

Ainda segundo o autor, neste período de 1998 a 2022 os estados com mais mortes por raios foram São Paulo, Pará, Minas Gerais, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso e Paraná.

Segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica-ELAT, vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE, de 2018 a 2022, houveram 590 milhões de descargas atmosféricas no país, uma média de 118 milhões por ano. Esse número inclui não apenas aquelas que atingem o solo, mas também as que ocorrem no céu sem contato com a superfície terrestre.

Neste período, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os estados com maior número absoluto de ocorrências de raios.Por isto no período chuvoso no estado, a preocupação é grande porque o estado possui um dos maiores índices de descargas por quilômetro quadrado por ano do país.

Segundo o INPE, a chance de uma pessoa ser atingida diretamente por um raio é muito baixa, menor que 1 para 1 milhão. No entanto, se a pessoa estiver em área descampada, embaixo de uma tempestade forte, esta chance pode aumentar em até mil vezes (chegando a 1 para mil).

Então o melhor e mais recomendado é se prevenir!COMO SE PREVENIR DE RAIOS?– Mantenha-se afastado e não trabalhe sobre cercas, alambrados, linhas telefônicas ou elétricas e estruturas metálicas.– Se você estiver viajando e ocorrer algum acidente, permaneça dentro do automóvel; os automóveis oferecem uma excelente proteção contra raios.– Busque refúgio no interior de edifícios e mantenha-se longe de árvores isoladas.– Não permaneça dentro d’água durante as tempestades.– Evite áreas altas, busque refúgio em lugares baixos.– Durante uma tempestade, não utilize aparelhos eletrodomésticos, mantenha-os desligados das tomadas quando possível.– Use o telefone fixo somente em uma emergência, os raios podem alcançar a linha telefônica aérea.– Se tiver de fazer uma longa travessia de barco, tenha especial atenção.

A canoa é um dos lugares mais expostos que existem.– Se for apanhado em céu aberto, evite árvores isoladas. Faça do corpo uma “bola com pés”, acocorando-se com eles mais junto possível. Não toque com as mãos no chão.– Quando acampar, monte sua barraca longe de lugares com maior probabilidade de queda de um raio, tais como, árvores altas e isoladas.– Aprenda a fazer reanimação cardiopulmonar.

Cerca de 20% das vítimas morrem, mas muitas vezes podem ser salvas se tratadas de imediato.– Certifique-se de que a tempestade passou completamente antes de prosseguir seu caminho.

Muita gente morre antes do clímax de uma tempestade por se aventurar cedo demais.– E no caso de emergência, deve-se acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193.Teomar Estevão Magri, Engenheiro Eletricista com MBA em Gestão de Negócios e Coordenador de Energia da SEDEC MTEntre no GRUPO DO WHATSAPP e acompanhe notícias relevantes sobre Economia, Política e Desenvolvimento Tags:aneelartigoclima chuvosolendas e crendicesopiniãoraiossistema elétrico Compartilhe este artigo Facebook Twitter Whatsapp Whatsapp Copiar link Imprimir Artigo anterior PEQUENOS NEGÓCIOS: Planejamento, gestão e capacitação fortalecem empreendimentos Economia e MercadoOpinião PEQUENOS NEGÓCIOS: Planejamento, gestão e capacitação fortalecem empreendimentos IA, ouro e dólar: a tríade que pode redefinir os investimentos em 2026 Liquidação do Will Bank: Como agir?

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