Mercúrio contamina peixes da Baía de Guanabara Pescadores da região apresentam níveis elevados de mercúrio no organismo Por Henrique Rodarte 06/01/2026 às 06:08 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Resumo da notícia A UFF identificou mercúrio em peixes da Baía de Guanabara e níveis de contaminação acima do recomendado em pescadores das colônias de Magé, Itaboraí e Ilha do Governador.A pesquisa avaliou oito espécies, destacando sardinha com baixo mercúrio e robalo com maior concentração, recomendando rodízio no consumo para reduzir exposição.Pescadores apresentaram níveis de mercúrio no cabelo acima do limite da ONU, indicando exposição crônica associada ao consumo frequente de pescado na região.A Universidade Federal Fluminense (UFF) identificou a presença de mercúrio em peixes da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
O estudo também revelou que pescadores apresentam níveis de contaminação que superam os limites recomendados por autoridades sanitárias. CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE Os pesquisadores analisaram oito espécies de peixes e coletaram amostras de cabelo de integrantes de colônias de pescadores em Magé, Itaboraí e na Ilha do Governador.
O trabalho integra o Programa de Pós-Graduação em Higiene Veterinária e Processamento Tecnológico de Produtos de Origem Animal (PPGHIGVET-UFF). Bruno Soares Toledo conduziu a pesquisa sob orientação de Eliane Teixeira Mársico. Ambos alertam para os riscos à saúde de comunidades que dependem do pescado como principal fonte de proteína.
Anvisa determina recolhimento de lote contaminado de chá Produtividade leva Brasil a novo recorde de soja na safra 2025/26 Baía sustenta milhares de famílias de pescadores A Baía de Guanabara sustenta cerca de 4 mil pescadores vinculados à Associação de Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Rede AHOMAR). Aproximadamente 8 milhões de pessoas vivem no território que circunda o estuário.
Atividades industriais, tráfego marítimo e lançamento de resíduos domésticos e industriais aumentam a liberação de substâncias tóxicas no ambiente aquático. Essas fontes de poluição comprometem a qualidade da água e a saúde das espécies que habitam a região.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE Sardinha e robalo apresentam maior variação de mercúrio A primeira etapa da pesquisa avaliou a presença de mercúrio total (HgT) em oito espécies de peixes com diferentes hábitos alimentares. Os cientistas analisaram sardinha, robalo, corvina e tainha, entre outras.
Leia Também:Árvores revelam cicatrizes invisíveis da mineração de ouroConepe condena isenção de imposto sobre sardinha importadaSardinha enlatada vira alternativa ao ovo após alta de preços A legislação brasileira estabelece limite de até um miligrama de mercúrio para cada quilograma de peixes predadores (mg/kg) e 0,5 mg/kg para não predadores.
Os resultados mostraram variações significativas: a sardinha apresentou valores muito baixos, em torno de 0,0003 mg/kg, enquanto o robalo registrou a maior concentração, com 0,2218 mg/kg. “A concentração detectada não é alta, mas expressa a necessidade de maior espaçamento entre as refeições. Precisa existir um intervalo maior entre o consumo”, explica Bruno Toledo.
“Nosso intuito não é que as pessoas deixem de consumir os peixes, mas que haja um rodízio entre as espécies. Desta forma, a possível exposição ao mercúrio será amenizada”, complementa o pesquisador. Pescadores superam limite de contaminação recomendado pela ONU Na segunda etapa, os pesquisadores analisaram amostras de cabelo humano, método reconhecido internacionalmente para identificar exposição crônica ao mercúrio.
A Organização das Nações Unidas (ONU) indica limites entre 1 e 2 mg/kg. Foto: Agência Agro em Campo O estudo encontrou valores que variaram de 0,12 mg/kg a 3,5 mg/kg entre os voluntários. “Isso significa que tivemos voluntários com resultados acima do limite previsto, o que indica maior exposição, possivelmente relacionada ao consumo frequente de peixe”, afirma Eliane Mársico.
As amostras coletadas revelam realidades distintas dentro do mesmo estuário. A Ilha do Governador concentra os maiores índices, seguida por Magé e Itaboraí. A frequência de consumo e as espécies mais capturadas podem explicar essas diferenças.
Contaminação atinge também consumidores fora das regiões pesquisadas Uma parcela dos peixes destina-se ao consumo próprio das famílias de pescadores, principalmente aqueles com menor valor comercial. Os demais abastecem o comércio local, o que significa que os impactos na saúde podem se estender para além das três regiões analisadas.
Segundo a ONU, a inalação ou ingestão de grandes quantidades de mercúrio provoca consequências neurológicas sérias. Entre os sintomas, destacam-se tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, fraqueza muscular e, em casos extremos, morte.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que dois grupos enfrentam maior vulnerabilidade: fetos cujas mães apresentam altos níveis de mercúrio no sangue e populações mais expostas a altos níveis da substância, como os pescadores de subsistência. Comunidades receberão orientações sobre prevenção A equipe da UFF planeja devolver os resultados do estudo às comunidades pesquisadas.
A iniciativa busca levar informações de forma acessível para contribuir com a saúde coletiva. “Os pescadores não têm conhecimento completo do problema. A percepção deles é o quanto diminuiu a oferta de peixes e outras espécies de pescado ao longo dos anos. Além disso, relataram que o tamanho dos peixes capturados está diminuindo bastante a cada período.
De forma geral, eles entendem que é a poluição e acúmulo de resíduos líquidos e sólidos na baía”, explica Bruno Toledo. A proposta dos pesquisadores inclui apresentar os dados em banners claros e diretos, que ficarão expostos na Associação de Pescadores. O material permitirá que todas as colônias compreendam os resultados e saibam como se proteger.
“Os pescadores querem saber e é necessário que tenham essa informação para que possam se prevenir, fazer um rodízio entre as espécies que consomem e evitar impactos no futuro. Nosso foco é garantir a essas comunidades a tranquilidade de se alimentar com algo que gostam e podem”, conclui Eliane Mársico.
Com informações da Agência Brasil Mais Lidas CNPJ passa a ser obrigatório para produtores rurais em todo Brasil Ataque dos EUA à Venezuela: saiba os impactos para o Brasil e o agronegócio Brasileiro busca tetracampeonato mundial inédito na PBR China assume liderança mundial na produção de tambaqui Conheça os benefícios do maracujá Últimas notícias México estabelece cotas para importação de carnes e afeta o Brasil Previsão do tempo em janeiro: INMET alerta agricultores para clima Câmara aprova criação do Cadastro Nacional de Protetores de Animais Preço do azeite acumula queda de 23% em 12 meses Mercúrio contamina peixes da Baía de Guanabara
